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4 de maio de 2015

Um breve olhar sob as civilizações antigas: persas, hebreus e Egito. Trabalho do 1o. Ano do Ensino Médio do Colégio Internacional Signorelli.

CIVILIZAÇÕES ANTIGAS: HEBREUS, PERSAS E O EGITO ANTIGO



As civilizações Antigas, surgidas na região conhecida como Crescente Fértil, deixaram um legado cultural, arquitetônico e histórico de extrema importância para as sociedades ocidentais e orientais. A seguir apresentaremos um breve olhar, escrito pelos alunos do 1º Ano do Ensino Médio do Colégio Internacional Signorelli sobre: os Persas, os Hebreus e o Egito Antigo.
Os Hebreus são caracterizados pelo povo escolhido por Deus. A criação da primeira religião monoteísta: o judaísmo ficou sendo a sua maior "marca". O judaísmo agrega elementos culturais e religiosos como fundamento. Os hebreus eram um povo de origem semita (os semitas compreendem dois importantes povos: os hebreus e os árabes). O termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, isto é, do rio Eufrates. Os hebreus foram um dos povos que mais influenciaram a civilização atual. Sua religião o judaísmo influenciou tanto o cristianismo quanto o islamismo.

Após longos anos de escravidão no Egito, Moisés libertou os hebreus abrindo o Mar Vermelho, fugindo com seu povo em direção a Terra Prometida. No alto do Monte Sinai recebeu os 10 mandamentos de Deus.
O mapa apresenta as fases e limites do império hebreu após o êxodo do Egito.

A imagem apresenta o alfabeto hebraico. Símbolos que caracterizam a escrita e língua do judaísmo ortodoxo.

Imagem do Muro das Lamentações, resto do templo sagrado dos judeus localizado em Israel. Após séculos de sucessivas diásporas pelo mundo, o povo judeu, nos dias atuais, possui seu país: Israel, localizada na Terra Prometida. Um local que ainda gera conflitos sérios como as guerras árabes-israelenses.
Os Persas ou Aquêmidas se destacaram pela cultura voltada ao militarismo e à conquista de outros povos para a construção de um grandioso império. No seu auge de seu domínio, o império persa atingiu o vale do rio Indo, na Índia, chegando até o Egito, incluindo parte do que conhecemos hoje como Oriente Médio, no atual Iraque, antiga Mesopotamia A civilização persa foi uma das mais expressivas civilizações da Antiguidade. A Pérsia situava-se a leste da Mesopotâmia, num extenso planalto onde hoje corresponde ao Irã, localizado entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio. Ao contrário das regiões vizinhas, possuía poucas áreas férteis. Esta civilização estabeleceu-se no território por volta de 550 a.C. O rei Ciro realizou a dominação do Reino da Média e, assim, deu início à formação de um bem-sucedido reinado que durou cerca de vinte e cinco anos dando inicio a formação do grandioso império Persa. Nesse período, este talentoso imperador também conquistou o reino da Lídia, a Fenícia, a Síria, a Palestina, as regiões gregas da Ásia Menor e a Babilônia e o Egito.

Limites do Império Persa


Alunos: Camila Areias, Ester Mendes,Eduardo lima,Larissa Lopes,Ney T.

O EGITO ANTIGO



A civilização egípcia antiga desenvolveu-se no nordeste africano sob as margens do rio Nilo, de 3200 a.C (unificação do norte e sul) a 32 a.c (domínio romano).
Como a região é formada pelo deserto do Saara, o rio Nilo ganhou extrema importância para os egípcios, pois era utilizado como via de transporte (através de barcos) de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura. Os antigos viajantes descreviam o rio Nilo como uma dádiva, atribuindo a ele a importância do surgimento e esplendor da civilização egípcia.
A economia egípcia era baseada principalmente na agricultura que era realizada, principalmente, nas margens férteis do rio Nilo. Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato.



A sociedade egípcia estava dividida em várias hierarquias sociais, sendo o faraó era a autoridade máxima, chegando a ser considerado um deus na Terra. Era o faraó que governava o Egito de forma teocrática, criando leis e obras públicas. Na base da pirâmide, estavam os camponeses, artesãos e pequenos comerciantes. Os escravos sustentavam toda a dinâmica econômica e social do Egito, ficando encarregados dos trabalhos pesados e das obras públicas (canais de irrigação, pirâmides, templos, diques).

A imagem apresenta a escrita egípcia: os hieróglifos e sua relação com o alfabeto, escrita inventada pelos fenícios.
A escrita egípcia também foi importante, pois permitiu a divulgação de ideias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas principais de escrita: a escrita demótica (mais simplificada e usada para assuntos do cotidiano) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores.
A religião egípcia era repleta de mitos e crenças interessantes. Os egípcios acreditavam na existência de vários deuses, que interferiam na vida das pessoas, e tinham aspectos humanos com cara de animais - zoomorfismo. As oferendas e festas eram realizadas em templos como forma de homenagear aos deuses, cujo objetivo era agradá-los para que eles ajudassem o povo nas colheitas, nos momentos difíceis da vida, e claro que os protegessem. Cada cidade possuía um deus protetor e templos religiosos em sua homenagem regidos por sacerdotes – chefes religiosos.



Os egípcios acreditavam na vida após a morte, e mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os em pirâmides, com o objetivo de preservar o corpo para que após a morte o faraó mantivesse as mesmas características físicas que tinha em vida. A vida após a morte seria definida, segundo crenças egípcias, pelo deus Osíris em seu tribunal de julgamento. A pirâmide era o túmulo do faraó, lá abrigava seu sarcófago e seus pertences e bens mais valiosos a serem levados com ele na jornada da vida após a morte.
A civilização egípcia desenvolveu conhecimentos importantes na área da matemática, usados na construção de pirâmides e templos. Na medicina, os procedimentos de mumificação proporcionaram importantes conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano.
Em relação a grandiosa arquitetura egípcia, podemos destacar a construção de templos, palácios e pirâmides. Estas construções eram financiadas e administradas pelo governo dos faraós. Grande parte delas foi erguida com grandes blocos de pedra, utilizando mão-de-obra escrava. As pirâmides e a esfinge de Gizé são as construções mais conhecidas do Egito Antigo.

Na imagem podem ser vistas a esfinge e pirâmides de Gizé.


Grupo: Allan Felix, Ana Carolina Puga, Beatriz Alcantara, Beatriz Blasquez, Daniel Mazini, Carlos Tihengo, Giovana Rizzeto, Guilherme Luz, Júlia Leiss, Rhayssa Cardoso e Sarah Gomes


VÍDEO EGITO ANTIGO: Alunos fazem um remake de vídeo clipe da Kate Perry inspirado no Egito Antigo!


13 de março de 2015

ALUNOS DO 1o ANO DO ENSINO MÉDIO DO COLÉGIO INTERNACIONAL SIGNORELLI ESCREVEM SOBRE O BIG BANG, A TEORIA DO EVOLUCIONISMO E A PRÉ-HISTÓRIA.

A CIÊNCIA E A CRIAÇÃO DO MUNDO: O BIG BANG

A imagem apresenta a explosão denominada Big Bang

A teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo naturalizado estadunidense, George Gamow e o padre e astrônomo belga Georges Lemaître.
Segundo eles, o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica, por isso o nome Big Bang. Desta grande explosão, uma mistura de partículas subatômicas (quarks, elétrons, neutrinos e suas partículas) que se moviam em todos os sentidos próximas à velocidade da luz. Os primeiros prótons e nêutrons se juntaram para formarem os núcleos de átomos leves, como hidrogênio, hélio e lítio, que estão entre os principais elementos químicos do universo.



O quadro para o modelo do Big Bang se baseia na teoria da relatividade de Albert Einstein e hipóteses simplificadoras (como homogeneidade e isotropia do espaço). As equações principais foram formuladas por Alexander Friedmann. Em 1929 Edwin Hubble fez uma descoberta que foi utilizada para demonstrar que todas as galáxias muito distantes e o aglomerado de galáxias têm uma velocidade aparente diretamente para fora do nosso ponto de vista: quanto mais distante, maior a velocidade aparente.
Se a distância entre os aglomerados de galáxias está aumentando hoje, quer dizer que eles deveriam estar mais próximos no passado. Esta ideia tem sido considerada e grandes aceleradores de partículas têm sido construídos para experimentar tais condições de densidade e temperatura extrema. O resultado desses aceleradores de partículas confirmaram a teoria, mas eles têm capacidades limitadas.
A teoria do Big Bang não pode e não fornece qualquer explicação para a condição inicial da expansão, mas sim descreve a evolução geral do Universo desde aquele instante.
Fred Hoyle é creditado como o criador do termo "Big Bang" durante uma transmissão de rádio de 1949. Hoyle mais tarde ajudou consideravelmente no esforço de compreender a nucleossíntese estelar, a via nuclear para a construção de alguns elementos mais pesados até os mais leves. Após a descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas em 1964, e especialmente quando seu espectro (ou seja, a quantidade de radiação medida em cada comprimento de onda) traçou uma curva de corpo negro, muitos cientistas ficaram razoavelmente convencidos pelas evidências de que alguns dos cenários propostos pela teoria do Big Bang deveriam ter ocorrido.
A importância da descoberta da radiação cósmica de fundo é que ela representa um "fóssil", sendo a maior evidência da existência do Big Bang. Ela é proveniente da separação da interação entre a radiação e matéria (época chamada de recombinação).
Apesar de ser uma tendência da cosmologia investigar num princípio, devemos considerar que o argumento sobre a teoria do Big Bang é questinável até pelos cientistas.
Os críticos alegam que a Teoria do Big Bang admite que o universo começou do nada, após a explosão. Os defensores da teoria dizem que essa crítica não se justifica por dois motivos. O primeiro é que o Big Bang não trata da criação do universo, mas sim de sua evolução. Alguns críticos dizem que a formação de estrelas e galáxias viola a lei da entropia, da qual os sistemas em mudança se tornam progressivamente menos organizados. Além disso, são também consideradas outras teorias que explicam o surgimento e a evolução do universo. O modelo do estado estacionário pontua que o universo sempre teve e terá a mesma densidade. A teoria concilia as aparentes provas de que o universo está em expansão.
O modelo ecpirótico coloca que o universo é o resultado da colisão de dois mundos tridimensionais em uma quarta dimensão que está oculta. A Teoria do Grande Salto propõe que nosso universo é um de uma série de universos que primeiro se expandem e depois se contraem. O ciclo se repete em intervalos de muitos bilhões de anos. Já a cosmologia de plasma tenta definir o universo através de propriedades eletrodinâmicas.
De certo a teoria do Big Bang se caracterizou como um marco histórico, na medida em que possibilitou ampliar o conhecimento sobre o universo pontuando uma fronteira sólida entre ciência e religião.

Grupo:
Victor Martins
Gustavo Soares
Jairo Ferreira
Thiago Motta
Thiago Rebelo

O EVOLUCIONISMO: A TEORIA DE DARWIN E ALGUMAS INTERPRETAÇÕES.



A teoria evolucionista é uma teoria científica que explica o surgimento do homem no planeta e sua evolução, entendendo a evolução como uma transformação nos aspectos físicos, nos hábitos cotidianos e nas relações sociais. Contrária a visão religiosa, a teoria evolucionista revolucionou a ciência atribuindo novas possibilidades de conhecimento sobre como o mundo ampliando nossa compreensão do mundo para além da religião.



Charles Darwin se destacou na ciência após a publicação do livro. “A origem das espécies” 1871, que causou grande alvoroço ao ser publicado. Segundo Darwin, o evolucionismo se dá através da evolução de espécies, onde evoluímos através da necessidade de adaptação para a sobrevivência no habitat. Com viagens ao redor do mundo e com fósseis encontrados, Darwin concluiu que os homens não eram uma criação divina como dizia a teoria criacionista, mas que haviam surgido a partir da evolução dos primatas.



O evolucionismo reforçava a teoria do Big Bang de George Henri Lemaitre, que acreditava que o surgimento do mundo aconteceu a partir de uma grande “explosão” cósmica, e com a fusão de prótons, nêutrons e átomos, organismos e células foram sendo criados e sobrevivendo e desenvolvendo capacidades de adaptar ao meio.
A teoria evolucionista inspirou diversos cientistas, como Lamarck, que acreditava que as mudanças físicas ocorridas no corpo dos seres vivos, estaria associada não só a evolução, mas a necessidade de sobrevivência, ou seja, as partes mais utilizadas e necessárias do corpo evoluíam e as que não eram tão necessárias e menos utilizadas se atrofiavam. Um exemplo descrito por Lamarck era a mudança do tamanho do pescoço das girafas, segundo ele o pescoço das girafas tendiam a aumentar de geração em geração pelo esforço que as mesmas faziam. Ele propôs também que essas mudanças seriam hereditárias.
O evolucionismo foi interpretado de múltiplas formas em diferentes áreas da ciência, chegando inclusive a ser conhecida como darwinismo social. Esta interpretação partia do pressuposto de que as diferenças raciais justificavam as diferenças culturais e a dominação de uma sociedade sobre a outra, ou melhor, de uma raça sobre a outra.
Mas essa já é outra história...

A imagem apresenta as diferenças raciais descritas pelo tamanho do crânio. A antropometria era o estudo que de responsabilizou por hierarquizar as raças como mais ou menos evoluída a partir da distinção craniana.
Grupo:
Beatriz Blasquez
Emanuel Rodrigues
Igor Ferrari
Gustavo Ramos
Raphaela Leite

A PRÉ-HISTÓRIA

A imagem apresenta uma pintura rupestre, característica marcante da vida dos hominídeos durante a vida nas cavernas.
As pinturas rupestres apresentavam o cotiano do homem durante a pré-história, além de apresentar uma linguagem própria, entendida por muitos estudiosos como arte primitiva.


A pré-história é o período que estuda a evolução humana, ou seja, correspondendo ao momento histórico que antecede a invenção da escrita – marco para o estudo da História Antiga, incluindo o período paleolítico e neolítico.  
O termo pré-história é muito questionado pelos historiadores e recentemente está tendendo ao desuso, pois esta denominação parte do pressuposto que os anos que antecederam a pré-história não seriam história. Esta ideia de uma pré-história vinculasse a interpretação de que a a História é uma ciência voltada para o estudo do passado do homem, estando responsável pelo estudo dos períodos anteriores a arqueologia.
Debates a parte, a pré-história se responsabiliza pelo estudo da evolução humana, afastando-se da teria do criacionismo - teoria religiosa que explica a criação do mundo e da humanidade a partir de Adão e Eva, encontrada no livro Genesis na Bíblia; utilizando a ciência através da teoria do evolucionismo, que explica a evolução humana a partir da seleção natural ( teoria de Charles Darwin), onde somente as espécies mais fortes e adaptadas ao meio sobrevivem as transformações do meio ambiente.
Neste período paleolítico, o homem conseguiu dar grandes passos rumo ao desenvolvimento e à sobrevivência de forma mais segura. O domínio do fogo foi o maior exemplo disto. Com o fogo, o ser humano pôde espantar os animais, cozinhar a carne e outros alimentos, iluminar sua habitação além de conseguir calor nos momentos de frio intenso. A vida em pequenos grupos, o nomadismo e a caça são características principais deste momento.

A cena do filme Guerra do Fogo ilustra os primeiros passos do homem pré- histórico em busca do domínio do fogo.
A conquista do fogo modificou a vida do homem, permitindo que ele se protegesse de predadores, cozinhasse o próprio alimento e se aquecesse.
Já no período neolítico, dois grandes avanços foram modificaram as relações de sobrevivência humana através do desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais. Cultivando a terra e criando animais, o homem conseguiu diminuir sua dependência com relação a natureza. Com esses avanços, ocorreu a sedentarização, pois a habitação fixa tornou-se uma necessidade.
Durante o período neolítico ocorreu a divisão do trabalho por sexo dentro das comunidades que estavam crescendo. Enquanto o homem ficou responsável pela proteção e sustento das famílias, a mulher ficou encarregada de criar os filhos e cuidar da habitação.
Caracteriza-se por Revolução Neolítica a época em que o homem atingiu um importante grau de desenvolvimento e estabilidade, através da sedentarização, da criação de animais e da agricultura em pleno desenvolvimento, onde as comunidades puderam trilhar novos caminhos.
Outro avanço importante foi o surgimento da metalurgia, que permitiu o desenvolvimento de objetos de metais, tais como, lanças, ferramentas e machados mais sofisticados que os do período paleolítico denominado como Pedra Lascada.

A sedentarização do homem através da agricultura e da criação de animais possibilitou o surgimento das primeiras aldeias e cidades.
Com armas de metais, os homens puderam caçar melhor e produzir ferramentas para melhorar a autossuficiência econômica, produzindo com mais qualidade e rapidez. A produção de excedentes agrícolas e sua armazenagem garantiram o alimento necessário para os momentos de seca ou inundações. Com mais alimentos, as comunidades foram crescendo e logo surgiu a necessidade de trocas com outras comunidades. Foi nesta época que ocorreu um intenso intercâmbio entre vilas e pequenas cidades. A divisão de trabalho, dentro destas comunidades, aumentou ainda mais, dando origem ao trabalhador especializado e as hierarquias sociais culminando no aparecimento das grandes civilizações do Oriente.



Grupo:
Laryssa dos Santos Freire
Amanda de M. Ferreira pessoa
Letícia Queiroz Fernandes
Vitória Reis dos Santos Silva
Anna Karolina dos Santos Abreu


VÍDEO SOBRE A VIDA NA PRÉ-HISTÓRIA:

video


17 de novembro de 2014

ESPECIAL DIA DA CONSCIENÊBNCIA NEGRA. NEGROS NO PODER: um breve histórico da luta por direitos civis nos EUA.

Martin Luther King em discurso histórico em Washington EUA

A luta pelo direito ao voto nos Estados Unidos, no final do século XIX e no inicio do século XX, foi uma bandeira levantada pelos diferentes líderes negros durante os anos de pós-abolição. O conceito de liberdade associava-se ao direito de participação e de integração a uma sociedade liberal, regida pelo trabalho livre e pelo individualismo. Neste sentido, o acesso à política como forma de validar os direitos civis tornou-se uma questão crucial em um país que disputava entre brancos e negros ex-escravos, novos espaços no mundo do trabalho.

            No caso dos EUA a liberdade não estava associada necessariamente ao final da escravidão e sim a integração social do ex-escravo a sociedade e o acesso aos direitos e a cidadania típicos de um individuo munido de liberdades individuais. A questão da emancipação, portanto, determinaria não só a liberdade pessoal e o direito sob si mesmo, mas também a acesso ao corpo político, e neste sentido o problema não estaria apenas em tornar os escravos trabalhadores livres, mas também em concebê-los como cidadãos ativos politicamente.

            A ideia de conceber o ex-escravo como trabalhador livre foi bem recebida pelos Estados do norte, porém nos Estados do sul onde residiam os latifundiários escravocratas, leis eram sancionadas como forma de excluir os negros do acesso aos direitos políticos. Com a legislação de 1875, a Suprema Corte modificou a Décima Quinta Ementa retirando dos negros o direito de voto no Sul. A população negra perdeu o direito de participação política ficando a mercê de políticas que autorizavam a perseguição e violência aos negros em todo território sul-americano. Os mesmos só recuperariam o acesso aos direitos civis em 1965.

            De fato a idéia do trabalho livre colocava a partir do século XIX a possibilidade de adquirir bens individuais por meio do trabalho, gerando uma forte disputa entre os brancos e negros libertos. A questão tornava-se racial, atribuindo ao conceito biológico o significado social. È no século XIX que o tema racial atribuído aos discursos evolucionistas e darwinistas de desenvolvimento social ganhou um significado negativo quando estabelecidos como argumentos determinados à diferenciação social. No caso norte-americano o entrave ao acesso político e aos direitos à cidadania foi legitimado por legislações de diferenciação racial, na medida em que ser negro significava ser descendente de escravo.

            A escravidão nos EUA não determinou uma miscigenação e relações sociais e culturais como aconteceu no Brasil. A descendência africana marcou o fim da escravidão como um obstáculo aos negros americanos de alcançarem seus direitos. Como diria Paul Lovejoy em uma entrevista para o jornal O GLOBO (1/12/2007 – Caderno Prosa e Verso) “Nos EUA, qualquer um que fosse percebido como tendo ascendência africana sofria discriminação. A coisa é muito mais em preto e branco. Nos EUA houve formas mais sérias do que aqui no Brasil, mas nos dois países há muita negação, muita vergonha no que se refere à escravidão, uma recusa de muitas pessoas de reconhecerem que seus ancestrais estiveram envolvidos de uma forma ou de outra (na escravidão)”.

A trajetória histórica da luta dos negros americanos foi iniciada na Guerra de Secessão nos EUA que durou de 1861/65. Uma guerra civil entre os Estados do sul e do norte que se diferenciavam por meio de modos e meios de produção: o norte que priorizava o trabalho livre e o mercado interno, e o sul a escravidão e a exportação.

O presidente da época Abraão Lincoln, decidiu em 1 de janeiro de 1863 que garantiria o fim da escravidão caso o norte fosse vitorioso e não se separasse do sul. O decreto de abolição pelo presidente com o fim da guerra marcou a história dos negros por meio da conquista da liberdade individual, que na época vinha acompanhado de um lote de terra de 40 acres para os libertos.

Com o fim da Guerra de Secessão marcada pela vitória do norte, sucedida pela morte do presidente Abraham Lincoln em 1865, os EUA iniciaram um período de reconstrução da sociedade, agora preocupada com a integração dos negros como cidadãos livres. Neste período, o desejo de acabar com o latifúndio foi descrito pelo programa de Lincoln chamado de “40 acres de terra e uma mula”, que criariam minifúndios, para garantir a produção dos libertos, porém esta lei nunca foi implementada, e os negros continuaram sem terras e com salários baixíssimos, trabalhando nos latifúndios de antigos patrões como meeiros.

Em 1875 foram declarados os direitos civis dos americanos como uma medida universal a todos os cidadãos livres. Neste mesmo ano ocorre um massacre aos votantes negros.

Durante todo este quarto final do século XIX, a população branca dos Estados Unidos havia percebido a cidadania como um direito universal, e que também garantia o direito a supremacia política. Com o pressuposto de um direito sobre o domínio político, os brancos passaram a se organizar votando leis contra os negros. Estas leis retiraram o direito de voto dos negros, e criou uma segregação política de bases empíricas, ideológica e espacial conhecida como apartheid ou a lei: “Separate but Equal . A doutrina Separate but Equal foi fruto de uma autorização da Corte Suprema legitimando a segregação em acomodações e serviços públicos em 1896 nos EUA, que vigoraram até o ano de 1960.

As chamados “Black Code” legitimavam a segregação racial, e impediam a ascensão dos negros na sociedade. O decreto confirmou a existência do racismo no país mais livre, republicano e democrático do mundo, criando linhas ferroviárias que separavam vagões de negros e brancos, placas que indicavam: “Only for White”, ou “Only Black”, e até mesmo – “White”, “Colored
 
Imagem da política de segregação racial nos EUA. Bebedouros para negros e brancos.

No centro da sociedade civil foi inaugurada uma onda de terrorismo. A violência dos grupos terroristas racistas simbolizadas pelas cruzes flamejantes das Ku Klux Klan fundaram uma espécie de tribunal popular, que condenava, linchava e torturava negros inocentes, e a ação agressiva dos Cavaleiros da Camélia Branca, cimentariam o clima de medo e pânico, que impidiria as reivindicações dos negros pela luta aos direitos civis e políticos. Com a intensificação dos conflitos raciais nos EUA, em 1919, a Ku Klux Klan, grupo de perseguição e extermínio aos negros formado no sul, expande-se por mais de 27 estados, organizando manifestações alicerçadas em ideias darwinistas e de pacifismo por meio de linchamento a grupos negros minoritários, dentre os quais oficiais uniformizados.

A imagem apresenta membros da Ku Klux Klan em trajes típicos.

Neste cenário de exclusão mutua, negros e brancos faziam parte de sociedades separadas com culturas diferentes. Os negros que chegavam a graduar-se em universidades diplomadas conseguiam discutir e abrir idéias aos setores sociais mais elitizados, enquanto a grande massa afro americana criava uma identidade em torno da figura do pastor, do jazz e também do movimento operário.

Em 1909 é fundado a NAAC: “National Association for the Advencement of Colored”, criado por um grupo de advogados que iniciaram as reivindicações a respeito do direito civil dos negros, procuravam constranger os juízes por meio da contradição entre as leis de isonomia e democracia americana, perante a realidade da discriminação.

De 1910 a 1920 a população negra começou a aumentar nas principais cidades industriais do norte, em função da busca de emprego e melhores oportunidades oferecidas pelas corporações nascentes. Paralelo a exclusão dos negros e a difícil situação da grande maioria no mercado de trabalho industrial, muitos imigrantes chegavam aos EUA, e assim foram sendo criados os primeiros sindicatos, conhecidos por “National War Labor Board”. O sindicato era reconhecido pelo governo, mas continuava a menosprezar a causa dos negros.

O movimento imigratório afro–americano iniciado no final dos anos 1920 determinou não só o aumento da população, como também, o surgimento de guetos que misturavam em seu espaço a questão social e racial. O mais conhecido: o Harlem foi sendo transformado com o tempo em um dos lugares mais violentos de Nova York na época.

Paralelo a violência dos guetos, estes espaços se caracterizaram como grandes pólos de concentração da cultura negra americana. O surgimento do Jazz nas grandes cidades do norte como: Kansas, Chicago, Nova York, criou um estilo musical que deixou de ser especifico da cultura negra, passando a ser ouvido e apreciado também por brancos interessados concertos em musicais, bares, pistas de dança.

Novas ideias circulavam neste período buscando a compreensão para a perda da cidadania e dos direitos da população negra americana. Intelectuais e ativistas de diferentes setores da sociedade buscavam ajustes, ou arriscavam em meio às idéias projetos que revertessem a situação da maioria da população negra colocada de fora da educação e direcionada aos piores postos de trabalho.

No inicio da década de 1960 emergem na cena pública dos conflitos étnicos nos EUA, um movimento que pretendia melhor articular as diferentes lideranças negras, com o objetivo de atingir as massas. O episódio conhecido como boicote do ônibus, onde uma mulher negra após ter de sido discriminada em um ônibus, solicitou a realização de um boicote a empresa de transporte por meio da liderança do pastor Martin Luther King. Depois deste episódio, de simples personagem o pastor se tornaria um grande líder.

Martin Luther King liderou a luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Jovem pastor de apenas 25 anos foi escolhido pelos ativistas dos direitos civis para liderar o boicote contra os serviços de transporte urbano da cidade de Montgomory, no Estado do Alabama, onde as leis segregacionistas restringiam o acesso para negros nos ônibus. Nos anos 60 formaram-se movimentos de massas em pró dos direitos civis. A organização de diversos setores da sociedade civil em busca do fim das leis segregacionistas levou a uma forte reação por parte das autoridades do sul que reagiram com violência contra os manifestantes. Luther King realizou passeatas unindo negros e brancos simpatizantes do movimento em direção a Washington D.C. para pressionar as autoridades a aprovar uma nova lei dos direitos civis. Martin Luther King, foi assassinado em 4 de Abril de 1968, na cidade de Menphys, no Estado do Mississipi. Sua morte sensibilizou o mundo e alertou a sociedade americana sobre a instabilidade trazida pelo racismo para o interior da sociedade.

O inicio dos anos 1960, foi marcado pelo começo de uma mobilização em massas, protestos, e passeatas organizadas por grupos de luta pela igualdade e o fim do racismo nos EUA. A idéia de participação política ligada à movimentação civil ganhava expressividade em torno do movimento negro, que por meio do cenário público e da imprensa ganhava publicidade e tentava a partir da mobilização universalizar a questão racial americana.

Essas vanguardas em luta pelos direitos civis se chamavam: SNCC – “Student Nonviolent Coodinating Commitee”, fundada em 1960; e CORE – “Congress of Racial Equality”, fundada em 1961. Ambos os grupos estimulavam e convocavam a participação de todos os cidadãos à luta pelos direitos civis dos negros, alertando a importância do direito ao voto. A participação de militantes brancos e negros confirmava o projeto universalista de igualdade para todos, por meio de manifestações e programas de educação ao cidadão. Dentre estes programas, o mais conhecido foi o “Freedom Riders” – Cavaleiros da Liberdade, onde jovens universitários faziam viagens de ônibus, junto a militantes, intelectuais e artistas, visitando os Estados do sul com o objetivo de lutar contra a segregação racial.

Paralelo a juventude ligada às universidades e a igreja surgiam outras vertentes políticas em favor dos direitos civis conhecidas como “Black Power” - poder negro. Ideologicamente os militantes deste movimento com expressividade na liderança de Malcon X, pregavam o radicalismo como ação preventiva e reivindicativa, recusando a integração entre os brancos como descrito nas palavras do próprio líder: “É preciso reagir e dar o troco”.

Malcolm Little, filho de Earl e Louise Little, nasceu em Omaha, no Estado de Nebraska, em 19 de maio de 1925. Indignado com a falta de oportunidades que os negros possuíam, começou a entrar na vida do crime por meio de roubos, tráfico de drogas e até mesmo participando do agenciamento de prostitutas. Foi preso em 1946, e durante os sete anos de prisão, Malcolm tornou-se seguidor de Elijah Muhammad, o líder do grupo Nação do Islã. Ainda na prisão ele mudou seu "nome escravo", Little, para o nome "X". Depois de conseguir liberdade condicional em 1952, Malcolm X se tornou ministro e alto dirigente do movimento negro muçulmano nacional. Morreu assassinado. 

A participação no grupo exigia uma postura defensiva aos males causados aos negros na sociedade, e a postura militar assumida por este movimento determinava o uso de armas e também de um esquema de segurança feito de negros para negros, como foi o caso do surgimento dos “Black Panters” – Os Panteras Negras.

No governo de John F. Kennedy, a abertura a luta aos direitos civis dos negros começou a se tornar realidade. Em diversos discursos Kennedy mencionava: (...) “A semente de dragão da escravidão, abolida há cem anos atrás, continuará germinado no solo sulista se nós não arrancarmos com mão forte”. (1963). Palavras que denunciavam o não reconhecimento da liberdade aos negros após a Abolição davam voz a causa dos afro-americanos como uma questão nacional.

Com o assassinato do presidente, o vice Lyndom B. Johnson assumiu o governo, e em 1965 a Lei dos Direitos Civis é promulgada, garantindo em todos os Estados do país, a proteção e o direito de votos a todos os negros americanos. A primeira ementa previa a “ação afirmativa”, que propunha eliminar a pratica de segregação dos empregos, dos lugares públicos, das escolas, e sindicatos, através de medidas que reparassem as injustiças sofridas do passado, tais como, a fundação de um “sistema de cotas”, ou seja, a reserva de um determinado percentual de vagas em instituições (públicas e privadas) só para negros.

Muitos anos se passaram, e no cenário atual, os afro-americanos conseguiram se integrar na sociedade como cidadãos livres. No entanto, são apenas 43 anos de liberdade política e civil para os negros americanos, um curto espaço de tempo para superar um racismo e preconceito alicerçado na própria construção do país como uma república.

            A questão racial nos EUA é importante para a compreensão dos problemas sociais sofridos pelo país, na medida em que, no contexto atual este Estado se caracteriza como um Estado de segurança, que prevê o controle das imigrações, do combate ao terrorismo e também do próprio índice de desenvolvimento social da comunidade afro-americana. Esta percepção permite uma reflexão sobre racismo e preconceito por meio de um olhar sob o reconhecimento do negro como um cidadão norte americano. Tais conclusões implicam na percepção legal e na liberdade civil, que muitas vezes não contribui para eliminação da ideologia racial construída entre os indivíduos.

Nos EUA, a candidatura de Barack Obama – senador de Illions, advogado e professor; causou polêmica entre os eleitores americanos, no que diz respeito a representatividade do candidato como um líder negro.
Barack Obama, primeiro negro eleito presidente dos EUA.

Barack Hussein Obama filho de um queniano casado com uma americana branca, nasceu em Honolulu em 1961. Com seis anos de idade se mudou para a Indonésia com sua mãe Ann, já divorciada de seu pai Barack Sr. De acordo com as palavras do próprio Obama em seu primeiro livro: Dreams of my father, ele admite ter tido dificuldades em encontrar raízes e identidade, o que o deixou dividido durante a adolescência em ser um negro que não compartilhava com a realidade da maioria dos negros americanos por ter proximidades com garotos de classe média branca.

            Nos anos 1990, Obama se casou com Michelle Robinson, e começou a lecionar Direito Constitucional na Universidade de Direito de Chicago, atuando como professor. No ano de 1996 foi eleito senador estadual em Illions e reeleito em 2004 como o quinto senador negro da história. Como membro do partido democrata, Obama admitiu a importância de mudanças sob as perspectivas conservadoras do governo republicano de Bush, se colocando sob uma postura de defesa aos direitos civis e sociais. Enquanto candidato apostou no apoio dos imigrantes e afro-americanos para chegar à presidência no ano de 2009 escrevendo seu nome na polêmica história norte-americana como primeiro presidente negro eleito democraticamente.


Abaixo deixo um vídeo do Cris Rock para pensarmos no racismo nos EUA em sua relação cotidiana após longos anos de História e luta pelos direitos civis.


TRABALHO SOBRE ORIENTE MÉDIO 9o ANO COLEGIO INTERNACIONAL SIGNORELLI.



O tema do Oriente Médio é sempre polêmico nas aulas de História e desperta muito interesse entre os alunos. No entanto, dada a sua relação com a história do tempo presente, com raízes bem próximas, a escolha por um planejamento a partir de temas torna a aula ainda mais legal.
 A  maior preocupação que tive ao trabalhar com Oriente Médio foi fugir do orientalismo, e por isso, utilizando o conceito de Edward Said, busquei debater com a turma a ideia de um oriente visto pelo ocidente, mostrando que a perspectiva cultural e histórica deve ser valorizada além do olhar ocidental etnocêntrico, buscando entender o oriente em sua multiculturalidade e importância no cenário geopolítico internacional.
Sob esta perspectiva, foi proposta a turma do 9o Ano do Colégio Internacional Signorelli que se dividissem em grupos para produção de um vídeo sobre as seguintes temáticas: 1) Mulheres islâmicas: xiitas e sunitas, 2) Conflito entre Israel e Palestina, 3) Osama Bin Laden e a Al Qaeda, 4) O regime Talibã.
O vídeo mais interessante e criativo ganharia um ponto extra a partir da votação dos alunos.
Neste trabalho foi possível perceber a crítica dos alunos em relação a falta de direitos das mulheres islâmicas, e uma dificuldade natural de se desapegar da relação entre oriente médio e terrorismo, o que de certa forma reforça o orientalismo na cultura ocidental.
Deixo abaixo um vídeo sobre orientalismo para ampliar nossas discussões.


Confira na integra os vídeos dos alunos nas postagens abaixo!